terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cãozinho ajuda jovem a vencer câncer linfático - Globo Repórter

Nos dias mais difíceis do tratamento, Nick, da raça pug, era a ligação da estudante com o mundo sem sofrimento.

A estudante Caroline Rachel de Oliveira faz o convite que todo cachorro adora: “Vamos passear?”. E lá vai Nick, um cãozinho da raça pug com cara de bravo. Só cara. O bicho é curioso e muito engraçado. Ele senta, deita, faz cara de triste, rola, se finge de morto, demonstra estar com fome. Tudo isso por um petisco. E tem mais: Nick ainda dá tchauzinho. Carol ensinou tudo sozinha para ele.

A história de Carol e Nick é muito bonita, mas começa de um jeito triste. Ela é filha única de um casal de médicos. A doutora Mery Gonzaga De Oliveira se lembra bem daquele Dia das Mães do ano de 2005. Foi quando chegou a notícia de que a filha estava com uma doença grave.

“Ela perguntava se eu tinha algum diagnóstico e não queria falar. Eu dizia que havia algumas suspeitas, mas que íamos esperar os resultados para ter uma certeza. Não era a minha área, estávamos dependendo de outros médicos para chegar a uma conclusão. Então, ela pediu para eu responder apenas uma coisa: 'O tratamento para o que você imagina que eu tenha vai me fazer perder cabelo?'. Eu disse que ia. Ela assumiu bem isso. Foi muito valente”, lembra a mãe de Carol.

A família feliz, com uma vida tranquila, viu o mundo desabar do dia para a noite. Logo começaram as sessões de quimioterapia e radioterapia, que levaram um ano e meio. Mas um remédio fez toda a diferença durante o tratamento: o amor dos pais e de um amigo especial, cheio de energia e de carinho para dar. Esse amigão é Nick, que ajudou Carol a enfrentar um câncer linfático.

Naqueles dias difíceis, dolorosos, o pug era a ligação da menina com o mundo sem sofrimento.

“Isso me ajudou a superar a fase difícil da doença porque eu me entretinha, não ficava pensando em coisas ruins, como o tratamento em si. Eu pensava em como adestrar o Nick. Fiquei meio obsessiva. Pode não ser muito saudável, mas na época me ajudou muito. Na época, foi saudável porque eu estava precisando”, conta Carol.

Então, foi uma troca: nesse um ano e meio, Carol ganhou atenção exclusiva do amigo que chegou filhotinho; e ele aprendeu um montão de truques com ela.

“Foi um amigo que me ajudou muito na época. Eu não podia ir para a escola porque estava com a imunidade muito baixa em virtude da quimioterapia. Então, ele me fez muita companhia. Companhia que os amigos acabaram não fazendo porque eu não podia ir para a escola, não podia ter muito contato com as pessoas, sob o risco de pegar alguma doença que atrapalharia o tratamento. Ele me fez muita companhia. Ficava comigo o tempo todo. Foi um amigo fiel, sempre abanando o rabo, disposto a aprender uma coisa que eu inventava”, diz Carol.

Nick foi mesmo um santo remédio. Quem receitou foi o doutor Vicente Odone Filho, oncologista respeitado internacionalmente e médico da menina.

“No caso específico da Carol, sentimos que ela esperava receber um cachorrinho e o surgimento da doença pôs em cheque aquela expectativa. Ela ficou doente e talvez não pudesse ter o animal. Saber que ela podia tê-lo foi uma grande alegria para ela e representou um sentido de participação, de normalidade, de atividade, da vida que ela gosta de ter. Foi absolutamente fantástico. Eu acho que isso é reproduzido em todas as crianças que vivenciam esse tipo de experiência. É algo que eu estou plenamente convencido de que só faz bem no tratamento dessas doenças tão graves”, afirma o médico.

O que o doutor não imaginava é que esses dois iam se dar tão bem! Nos momentos mais complicados do tratamento parecia até que Nick entendia o que estava acontecendo.

“Se ele a visse chorar, ficava meio apavorado. Ele é tranquilão, está sempre deitadinho. Mas quando ela chorava, ele ficava agitado e andava de um lado para o outro, preocupado, querendo fazer alguma coisa. Ele dava essa sensação. Ele olhava muito para mim e, em seguida, para ela. Dava a impressão de que ele queria que fizéssemos alguma coisa porque ela estava chorando. Ele percebia que ela não estava se sentindo bem. Era incrível como ele demonstrava isso”, conta a mãe de Carol.

“De alguma forma, eu acho que ele entendia que eu precisava dele ao meu lado, me fazendo companhia. Então, ele estava lá. Não significa que ele entendesse assim”, diz Carol.

Doutora Mary é ginecologista e admite que Nick é responsável – em grande parte – pelo bem-estar e pela cura da filha. “Ela ficava feliz, estava sempre brincando, sorrindo, criando coisas com ele. O tempo passava, e conseguíamos adiantar o tratamento, porque ela estava com uma cabecinha boa, feliz, sem depressão, sem chorar. Lógico que ela tinha que estar mal em alguns períodos quando sentia dor. Ela decaía um pouquinho, mas ele estava sempre ali”, lembra.

E assim essa história teve um final feliz. Carol, que ficou doente aos 14 anos, venceu o câncer. E Nick, com jeito "simpaticão" e fiel, conquistou para sempre um lugar na vida da família.

“Nem sei como encontrar uma palavra para descrever o Nick. Ele é perfeito para mim, sempre foi”, define Carol.

“Tenho uma dívida de gratidão imensa com ele, porque eu via que ele conseguia alegrar a minha filha. Nas piores horas, ele estava ali. É engraçado como a família toda participou disso: minha mãe, minha irmã, minhas sobrinhas. Todo mundo tem um carinho muito especial por ele. Todo mundo tem esse sentimento de gratidão por ele”, conta a mãe de Carol.

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30/01/09 - 22h49 - Atualizado em 30/01/09 - 23h15