sábado, 2 de junho de 2012

Síndrome da Agressão Súbita - Você já ouviu falar?


Se tem muita coisa na medicina que a gente desconhece, imagina na medicina veterinária, olha só essa doença, é uma síndrome que eu nunca tinha ouvido falar. Os mais afetados não são os pugs, mas conhecimento nunca é demais e você pode acabar utilizando algum dia. Por ser difícil o diagnóstico duvido que alguém me diga que já presenciou algo do tipo.
Sudden Onset Aggression ou Síndrome da Avalanche de Fúria
É uma condição grave, porém rara, conhecida por vários nomes; o termo “Sudden Onset Agression” – SOA – (algo como “agressão súbita”) tem sido adotado recentemente por ser mais exato e menos sensacionalista do que “síndrome da avalanche de fúria” (rage syndrome).
Por ser desconhecida do grande público, às vezes até do próprio médico veterinário, muitas vezes é confundida com outras formas de agressão e não é diagnosticada. Acredita-se que sua origem seja genética.
O sintoma típico e característico da doença são os ataques súbitos e sem causa aparente a qualquer pessoa ou animal próximo, parecendo não reconhecer ninguém ao seu redor, tão pouco atendendo a chamados ou comandos. Os ataques geralmente são graves, em função do tamanho do cão e da pessoa ou animal atacado. Minutos depois, retorna ao seu comportamento normal, até mesmo agindo de forma submissa em relação às pessoas ou animais que acabara de atacar. Alguns proprietários relatam que o cão fica com os olhos vidrados pouco antes dos surtos.
Alguns cães têm as crises em momentos específicos, geralmente, ao acordar. Por isso, a doença também é chamada de “waking sudden onset agression” (“agressão súbita ao acordar”).
O animal não se recorda ou entende o que se passou, sendo relatado que muitas vezes o cão volta de uma crise completamente atordoado e confuso.
Os ataques não podem ser parados com treinamentos, adestramento ou qualquer tipo de condicionamento, pois o cão não está consciente no momento dos surtos.
É um problema mais comumente relatado nas raças cocker spaniel inglês e springer spaniel inglês, mas já foram registrados casos em diversas outras, como cocker spaniel americano, basset hound, boiadeiro bernês, chesapeake bay retriever, dobermann, bull terrier, pastor alemão, golden retriever, cão da montanha dos Pireneus, entre outras.
Relata-se que a doença é mais comum em cães cocker spaniel inglês de cor dourada, e em seguida, nos de cor preta, mais do que nos cães de outras cores da mesma raça; e que os cães provenientes de linhagem de conformação são mais afetados do que os da linhagem de trabalho. Por isso, a doença já chegou a ser chamada de “doença do cocker dourado” nas décadas de 80 e 90. Provavelmente, isso se deve ao fato de não ser comum os criadores acasalarem cães sólidos (preto, fígado, dourado, preto e canela, fígado e canela) com cães partcolors (os que têm a maior parte do corpo branco). Desse modo, tornou-se mais comum na linhagem de cães sólidos, mas não por ser ligada à cor da pelagem em si. Tanto é que cães de outras raças e outras cores de pelagem são afetados pela doença também, mas reforça a hipótese de que a condição seja hereditária.
Apesar das poucos estudos sobre essa doença, ela é descrita como uma desordem semelhante à epilepsia, que atinge áreas do cérebro relacionadas às emoções. Frequentemente, apenas um médico veterinário neurologista pode diagnosticar corretamente a doença, pois veterinários comuns, treinadores e proprietários geralmente confundem a condição com outras formas de agressão, uma questão de má educação, ou que pode ser revertida com adestramento. A doença pode ser diagnosticada com um exame de eletroencefalograma ou com testes genéticos, mas ambos podem ser inconclusivos.
O tratamento para o cão afetado normalmente é feito com medicação antiepiléptica. Mas nem sempre os resultados são satisfatórios, e não raro, o cão têm crises cada vez mais freqüentes e intensas com o passar do tempo. Se não houver maneiras de manter o cão isolado de pessoas que possa ferir seriamente (crianças, idosos, outros cães), a última opção do proprietário é a eutanásia.


Fonte: Dicas Peludas (Thaís)