terça-feira, 28 de agosto de 2012

Tratamento da Leishmaniose Canina

Esse texto foi escrito pelo professor Andre Luis Soares da Fonseca (e editado por mim), quem quiser saber mais sobre a formação dele leia o parágrafo abaixo, se não, pule e vá direto para o conteúdo principal.
Possui graduação em Medicina Veterinaria pela Universidade Federal de Uberlândia (1984), mestrado em imunologia das leishmanioses pela Universidade de São Paulo (1993), graduação em Direito pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (2001), especialização em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande (2006). É professor da disciplina de Imunologia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul desde 1991 (professor adjunto nível 4). Tem experiência na área de Imunologia Básica e Aplicada. Atuação como advogado pro bono em causas ligadas a cidadania, meio ambiente e proteção aos animais. Coordenador da Comissão de Leishmanioses do CRMV/MS e membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB/MS. Sócio Fundador do Brasileish - Grupo de Estudos em Leishmaniose Animal. Doutorando em Doenças Tropicais no Instituto de Medicina Tropical de São Paulo, sob a orientação da Profa. Dra. Hiro Goto, onde desenvolve tese intitulada Evolução da Leishmaniose Visceral: Raça Canina e Perfil Lipídico.

O e-mail dele é andre.fonseca@ufms.br. Para a página do facebook clique aqui. Curriculum aqui.



TRATAMENTO

A Leishmaniose Visceral Canina tem tratamento! Ele pode ser feito utilizando diferentes drogas que são muito baratas e podem ser, inclusive, manipuladas em farmácias. Porém exige compromisso tanto do Médico Veterinário como do proprietário. 

PROIBIÇÃO

O tratamento não é proibido, o que está proibido é o uso de medicamentos da linha humana, mas mesmo esta proibição está sendo questionada judicialmente pois uma Portaria Ministerial não tem competência legal para proibir um tratamento, somente a Lei, em sentido estrito. 


SUBSTÂNCIAS UTILIZADAS

Nos tratamentos que o Professor demonstra foram utilizadas as seguintes drogas: Alopurinol, Cetoconazol, Levamizol, Vitamina A, Zinco, Aspartato de L-arginina e Prednisona. Nunca foi utilizado Glucantime ou Anfotericina B. 

Obs.: toda medicação é realizada na casa do proprietário, ministrada através de comprimidos ou cápsulas.


ALGUNS ESCLARECIMENTOS

  1. A Leishmaniose Visceral Canina (LVC) é uma doença infecciosa não contagiosa.
  2. As principais pessoas que contraem a doença são, de algum modo, imunodeficientes, em sua grande maioria. 
  3. A LVC é uma doença totalmente tratável e curável clinicamente, mas como a grande maioria de doenças causadas por protozoários (ex: Doença de Chagas nos seres humanos), o portador geralmente não obtém a cura parasitológica, assim no cão como no ser humano.
  4. A Organização Mundial de Saúde não recomenda a eutanásia como método de controle da LVC. Porém, o Ministério da Saúde não aceita o tratamento e nem reconhece ou recomenda a vacina, a despeito de países de 1º mundo, como Espanha, França, Itália e Alemanha tratarem seus animais regularmente.
  5. A Constituição Federal do Brasil garante ao proprietário que o mesmo não é obrigado a sacrificar o seu cão, pois é sua propriedade, e se o Poder Público o fizer, poderá ser acionado por crime de Abuso de Autoridade (o servidor público) e ainda responder por danos materiais e morais, se assim o desejar o proprietário.
  6. Recomendamos o tratamento do animal desde que com o acompanhamento e responsabilidade de médico veterinário habilitado para garantia do proprietário, seu animal e de toda a população.
  7. Frisamos que os trabalhos científicos respeitáveis apontam como métodos efetivos de controle da doença o uso regular de coleiras e produtos inseticidas nos cães e o desenvolvimento de vacinas, não sendo, de modo algum, recomendada a eutanásia como método de controle da LVC.

Quem quiser ver os resultados do tratamento pode acessar estes dois links: este e este.

Agradeço a atenção de todos que leram este post e gostaria que essa informação fosse difundida, pois poderia ajudar a salvar muitas vidas.
Até mais, queridos leitores!